O afastamento definitivo, por meio de processo político-jurídico conduzido pela Assembleia Legislativa, poderia restabelecer a estabilidade necessária ao funcionamento das instituições.
Palmas,TO – A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) do cargo, consolidou uma crise política sem precedentes na história recente do Tocantins. O ministro Luís Roberto Barroso foi claro ao negar o segundo recurso da defesa, confirmando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que o chefe do Executivo estadual deve permanecer afastado enquanto prosseguem as investigações sobre o suposto desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.
Responsabilidade política
Diante desse cenário, o ex-deputado Paulo Mourão divulgou um vídeo nas redes sociais na última sexta-feira (10), que ecoa como um chamado à responsabilidade política: pediu publicamente a renúncia de Wanderlei Barbosa. Para Mourão, a permanência de um governador afastado, ainda que sob o manto da presunção de inocência, prolonga uma instabilidade institucional que já corrói a confiança da sociedade e paralisa decisões essenciais para o desenvolvimento do Estado.
Há um fundo de razão nesse apelo. O Tocantins vive, há meses, um impasse que vai além das fronteiras jurídicas — trata-se de uma crise de governabilidade. A figura do governador afastado paira sobre o Palácio Araguaia como uma sombra política, dividindo o poder e gerando incerteza entre servidores, investidores e cidadãos. Em momentos assim, o gesto de renúncia, ainda que doloroso, pode significar grandeza. Renunciar não é admitir culpa, mas reconhecer que o Estado não pode ser refém de processos judiciais que se arrastam no tempo.
Entretanto, caso a renúncia não venha, Mourão propõe outro caminho: o impeachment. O termo carrega peso histórico e político, mas, neste caso, representa uma alternativa legítima dentro da ordem democrática. O afastamento definitivo, por meio de processo político-jurídico conduzido pela Assembleia Legislativa, poderia restabelecer a estabilidade necessária ao funcionamento das instituições.
Por outro lado, a defesa de Wanderlei Barbosa insiste em sua inocência, classificando as denúncias como “insinuações infundadas”. É seu direito recorrer e buscar todos os meios legais de reversão da decisão. O que se questiona, porém, é se esse embate prolongado interessa ao Tocantins — um Estado que, mais do que nunca, precisa de liderança firme e horizonte claro.
Renúncia ou impeachment?
Qualquer que seja o desfecho, o fato é que o Tocantins precisa virar a página. A instabilidade é o pior inimigo de um governo e o maior obstáculo para o desenvolvimento de um povo. O momento exige coragem política e senso de responsabilidade histórica.







