O município tocantinense de apenas 5,7 mil habitantes prepara-se para uma transformação econômica sem precedentes com o avanço do Projeto Monte do Carmo pela Hochschild Mining.

MONTE DO CARMO (TO) – Conhecido por sua rica herança histórica e cultural, o município de Monte do Carmo, na região central do Tocantins, está prestes a vivenciar um novo ciclo de prosperidade. A mineradora peruana Hochschild Mining consolidou seus planos para o Projeto Monte do Carmo, prevendo um investimento de R$ 1,4 bilhão (US$ 250 milhões). O empreendimento, que foca na extração de ouro na jazida de Serra Alta, situada nos limites do município, encontra-se atualmente em fase final de revisão de engenharia, preparando o terreno para o início das obras de construção civil.

O protagonismo de Monte do Carmo na mineração

Diferente de outros projetos espalhados pelo estado, o empreendimento da Hochschild é intrínseco à identidade de Monte do Carmo. A cidade, que nasceu sob a égide da mineração no século XVIII, vê agora a tecnologia moderna retornar para explorar o potencial geológico que ainda reside em seu solo. O projeto prevê uma planta de beneficiamento robusta, com capacidade para processar 6 mil toneladas de minério diariamente, colocando o município como um dos maiores produtores de metal precioso da Região Norte.

Ademais, a escolha estratégica por Monte do Carmo se deve ao alto teor de ouro identificado nos estudos de viabilidade. A Hochschild Mining, que assumiu o controle do projeto em 2024, trabalha agora no detalhamento técnico para garantir que a infraestrutura industrial seja integrada de forma eficiente à topografia local.

Impactos diretos na economia e no emprego local

Consequentemente, a expectativa em Monte do Carmo é de uma guinada socioeconômica. A previsão é de que sejam gerados cerca de 2.000 empregos, entre diretos e indiretos, priorizando a mão de obra local e regional. Dessa forma, este fluxo deverá injetar recursos imediatos na economia carmelitana, movimentando desde o pequeno comércio de alimentos até o setor de serviços e logística.

Todavia, o impacto vai além dos postos de trabalho. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) promete robustecer o caixa da Prefeitura de Monte do Carmo, permitindo investimentos em infraestrutura urbana, saúde e educação para suportar o crescimento populacional previsto para os próximos anos.

Sustentabilidade e preservação do patrimônio

Nesse contexto, a empresa e os órgãos reguladores, como o Naturatins, mantêm um diálogo próximo para assegurar que a exploração não comprometa o patrimônio histórico e ambiental de Monte do Carmo. As licenças de instalação e as outorgas de água já concedidas estabelecem critérios rigorosos para a preservação do Cerrado e o manejo responsável de rejeitos.

Por fim, o Projeto Monte do Carmo reafirma a vocação minerária do município, elevando-o ao status de peça-chave na economia do Tocantins. No entanto, com o início da construção previsto para 2026, a cidade se prepara para conciliar seu passado histórico com um futuro de alta tecnologia e desenvolvimento industrial.

Perques Leonel