Governador Wanderlei Barbosa (republicanos) - Foto: Antonio Gonçalves/Governo do Tocantins

Com alta aprovação, o governador está cercado por dilemas políticos, disputas internas e a ameaça silenciosa de aliados que podem virar adversários. Renunciar pode parecer estratégico mas, o risco de ser traído por aliados travestidos de fiéis é real. Permanecer, por outro lado, lhe dá tempo e poder, mas pode minar a chance de um salto nacional.

No xadrez político do Tocantins, Wanderlei Barbosa está diante de uma encruzilhada. O governador caminha sobre uma linha tênue. Com 76,7% de aprovação popular e liderança isolada na corrida ao Senado, o governador precisa decidir até 4 de abril de 2026 se renuncia ao cargo para disputar uma das duas vagas disponíveis. O problema? Isso significaria entregar o governo ao vice Laurez Moreira, com quem trava uma guerra declarada nos bastidores.

Enquanto o dilema se desenha, o tabuleiro sucessório começa a se organizar. Pesquisas revelam um cenário embolado na disputa pelo governo do estado. Eduardo Gomes (PL) e Dorinha Seabra (União Brasil) estão empatados tecnicamente, seguidos por Laurez e Amélio Cayres, o nome da confiança de Wanderlei. O grupo político de Barbosa se divide entre lealdades e estratégias, enquanto o governador ensaia um discurso de negação que poucos acreditam: “não sou candidato nem tenho essa vontade”.

Bastidores em ebulição

Embora ostente popularidade, Wanderlei enfrenta fissuras internas cada vez mais visíveis. A tensão com Laurez já se traduz em medidas práticas: o cartão corporativo do vice foi suspenso e uma norma recente limita sua atuação em ausências inferiores a 15 dias do titular. É um recado claro: o Palácio Araguaia está blindado.

A questão central permanece sendo a decisão sobre a candidatura ao Senado. O favoritismo de Wanderlei Barbosa é evidente, consolidando sua posição como o principal nome na disputa. No entanto, a renúncia ao cargo atual traz implicações políticas significativas, podendo impactar diretamente o controle sobre sua sucessão.

Quem quer sentar na cadeira principal

Eduardo Gomes e Dorinha Seabra despontam como os nomes mais fortes na disputa pelo governo. Dorinha, que já lançou sua pré-candidatura, aposta em sua imagem técnica e na trajetória consolidada na área da educação. Já Eduardo Gomes, conhecido pela habilidade política, continua costurando apoios com discrição.

No entanto, paralelamente, aparece Laurez Moreira, atual vice-governador e possível sucessor direto, caso ocorra uma renúncia de Wanderlei Barbosa. Nessa condição, poderia disputar a reeleição como governador em exercício, o que alteraria completamente a dinâmica eleitoral. Apesar de certa resistência dentro do próprio grupo, Laurez tem estrutura e articulação política.

Além disso, Amélio Cayres, presidente da Assembleia Legislativa e aliado de confiança do governador, também figura entre os principais nomes. Amélio Cayrespode ser o nome ungido pelo governador caso a estratégia do Palácio seja manter o atual chefe do Executivo até o fim do mandato. Ele representa a continuidade.

Três cenários, um estado em suspense

  1. Renúncia e ascensão de Laurez: Fortalece o vice, mas ameaça o grupo de Barbosa com o risco de rupturas irreversíveis.
  2. Permanência até o fim: Mantém o controle do governo e abre espaço para lançar um sucessor, evitando o fortalecimento de Laurez.
  3. Composição ampla: Uma costura de alianças – Gomes ao governo, Barbosa ao Senado, Dorinha com prefeitos, Cayres como herdeiro e Laurez em voo solo – pode redefinir o mapa político do Tocantins.

A hora da escolha

Entretanto, Wanderlei Barbosa está diante de uma encruzilhada que não admite hesitação. Sua decisão moldará não apenas a eleição de 2026, mas o próprio equilíbrio político do estado. Renunciar pode parecer uma jogada lógica, mas o risco de ser traído por aliados travestidos de fiéis é real. Permanecer, por outro lado, lhe dá tempo e poder, mas pode minar a chance de um salto nacional. O Tocantins aguarda. E o relógio político já começou a correr.

Redação