Durante a Operação, um servidor da Prefeitura foi preso por porte ilegal de arma enquanto dirigia uma van escolar terceirizada, o que levanta suspeitas de desvio de função e irregularidades administrativas.
Monte do Carmo,TO – Na manhã desta quarta-feira (30), a Polícia Civil do Tocantins realizou a Operação Evolution para desarticular uma organização criminosa especializada em roubos de defensivos agrícolas. Um dos alvos da operação, Gilmar Coelho Alves Filho, de 27 anos, conhecido como “Barone”, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo em Monte do Carmo.
Arma na van e suspeita de irregularidade contratual
A prisão ocorreu em um cenário que chocou a comunidade local: Gilmar chegava à porta da Creche Municipal dirigindo uma van escolar com crianças a bordo quando foi abordado pelos policiais. Em sua posse, foi encontrado um revólver calibre 38 com munições intactas. O detalhe que mais chamou atenção é que, embora seja oficialmente contratado como motorista da Prefeitura desde fevereiro de 2025, Gilmar estava ao volante de um veículo terceirizado contratado pela própria gestão municipal.
Mais que um simples deslize administrativo, o caso escancara um potencial esquema de uso indevido da máquina pública. Gilmar, contratado para dirigir veículo oficial, recebia dos cofres da prefeitura enquanto prestava serviço em van terceirizada — um claro indício de desvio de função. Isso, somado ao transporte de crianças com uma arma ilegal na cintura, coloca em xeque não apenas o servidor, mas principalmente os gestores que permitiram ou ignoraram o desvio. É improbidade administrativa na veia — e o povo quer respostas.
Moradores denunciam prática antiga
Além disso, o episódio levantou sérias dúvidas sobre a legalidade da atuação do servidor. Conforme relatos de moradores, Gilmar já dirigia essa mesma van há algum tempo, inclusive o veículo permanecia estacionado frequentemente em sua residência. A incongruência entre a função para a qual foi contratado e a atividade que de fato desempenhava pode configurar desvio de finalidade e improbidade administrativa.
Investigação e possível responsabilização
A situação, além de escancarar falhas de fiscalização por parte do poder público municipal, também deve atrair a atenção do Ministério Público do Tocantins, que pode abrir investigação para apurar responsabilidades tanto do servidor quanto dos gestores envolvidos na contratação e fiscalização do serviço de transporte escolar.
Operação Evolution e desdobramentos
O nome da operação faz referência à marca dos produtos agrícolas roubados em dezembro do ano passado. As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate aos Crimes Rurais (Deleagro), com apoio de diversas divisões especializadas da Polícia Civil, incluindo a DRCOT, DEIC de Porto Nacional, 1ª Delegacia de Palmas e a 70ª DP de Porto Nacional.
Implicações e consequências
Entretanto, o caso revela um preocupante descaso com a segurança de crianças, a lisura nos contratos públicos e a integridade dos serviços oferecidos à população. A bomba estourou — e agora é esperar se os responsáveis vão responder à altura da gravidade do ocorrido.








