
Audiência pública na Câmara Municipal expõe dados alarmantes e reforça necessidade de políticas públicas eficazes contra a violência doméstica e sexual.
PALMAS, TO – A Câmara Municipal de Palmas realizou, na última quinta-feira (28), uma audiência pública em alusão à campanha Agosto Lilás, dedicada ao enfrentamento da violência contra a mulher. O evento foi organizado pela Comissão de Assuntos dos Direitos da Mulher, presidida pela vereadora Mary Cats da Causa Animal (Podemos), e reuniu representantes da saúde, da segurança e da sociedade civil.
Dados alarmantes sobre violência em Palmas
A coordenadora técnica da Secretaria Municipal de Saúde, Alessandra Soares Araújo, apresentou números que revelam a gravidade da situação. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, foram registradas mais de 700 ocorrências de violência contra mulheres em Palmas — sendo 448 em 2024 e 254 apenas nos sete primeiros meses deste ano.
Entretanto, a maioria dos casos ocorreu dentro das próprias residências das vítimas, representando 76% em 2024 e 68% em 2025. Além disso, 76% das vítimas de violência sexual eram crianças ou adolescentes, o que evidencia a vulnerabilidade extrema e a urgência de respostas institucionais.
Patrulha Mulher Segura em ação
A inspetora da Guarda Metropolitana de Palmas, Letícia Bordin, coordenadora da Patrulha Mulher Segura, reforçou a indignação diante dos dados apresentados. “Me choca e causa indignação os números trazidos. Nós, mulheres que temos este espaço público, precisamos erguer a voz e nos posicionar, porque esse debate é fundamental”, afirmou.
No entanto, segundo Bordin, a patrulha atua no monitoramento das medidas protetivas, além de priorizar o acolhimento humanizado, a escuta qualificada e a não revitimização. Para ela, a medida só se torna efetiva quando acompanhada de uma atuação firme e especializada.
Compromisso político da Câmara
Em seu discurso, a vereadora Mary Cats reafirmou seu compromisso com a pauta. “Uma das minhas bandeiras também é a defesa da mulher, e por isso estamos aqui unidas para buscar projetos de lei, ações e estratégias capazes de transformar essa triste realidade”, destacou.
Nesse sentido, a audiência cumpriu um papel estratégico: não apenas apresentar estatísticas, mas também fortalecer o debate político em torno da criação de políticas públicas capazes de romper o ciclo de violência.
Chamado à ação
Portanto, a audiência pública representou mais do que um rito formal. Foi um espaço de convergência entre dados técnicos, discursos políticos e compromissos institucionais. Ademais, deixou claro que a luta contra a violência exige engajamento político permanente e políticas públicas efetivas.
Contudo, a mensagem final é contundente: sem ação concreta, estatísticas permanecerão como números em relatórios, e não como marcos de mudança social.








