Reportagem da TV Globo expôs novas informações sobre o suposto esquema de desvio de recursos públicos durante a pandemia da Covid-19 no Tocantins. Investigações da PF apontam aliados e indicados do então vice-governador em suposto esquema de desvio de recursos públicos.
PALMAS-TO – O programa Fantástico, da TV Globo, exibido no último domingo (5), revelou novos detalhes da Operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga um suposto desvio de R$ 73 milhões destinados à compra e distribuição de cestas básicas durante o auge da pandemia de Covid-19. A reportagem repercutiu o afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A decisão, assinada pelo ministro Mauro Campbell, afastou o governador por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado caso o tribunal entenda que ainda há risco de interferência nas investigações. De acordo com o ministro do STJ, Mauro Campbell, A gravidade dos fatos e a natureza atual da lavagem de capitais exigiu o afastamento imediato do governador Wanderlei Barbosa do cargo.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, indicados e aliados políticos do então vice-governador Wanderlei Barbosa ocupavam cargos estratégicos na Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), responsável pela execução dos programas de assistência alimentar do Estado. Esses gestores teriam utilizado empresas de fachada e notas fiscais falsas para simular a compra de alimentos e frangos congelados, desviando recursos públicos que deveriam atender famílias em vulnerabilidade social.
A investigação descreve o grupo como uma organização criminosa estruturada, que operava com fraudes em licitações, superfaturamento e pagamentos por produtos não entregues. As cestas básicas eram reutilizadas duas ou três vezes apenas para enganar as fiscalizações, revela trecho do relatório da PF.
Gravações revelam bastidores da corrupção
O Fantástico exibiu áudios atribuídos ao empresário Paulo César “PC” Lustosa, ex-marido da primeira-dama Karynne Sotero, apontado como o operador financeiro do esquema. Nas gravações, Lustosa discute o controle de recursos oriundos de emendas parlamentares e a divisão de valores excedentes entre participantes. Outros nomes citados incluem Wilton Rosa Pires, irmão de Lustosa e servidor público, e Maria do Socorro Guimarães, conhecida como “Bispa Socorro”, suspeita de intermediar pagamentos ilícitos.
Durante as buscas e apreensões realizadas em setembro, a PF encontrou R$ 52 mil em notas frias escondidas no banheiro da residência oficial do governador e cerca de R$ 700 mil em poder de aliados. Parte dos valores desviados teria sido utilizada na construção de uma pousada de luxo avaliada em R$ 6 milhões, segundo o relatório policial.
Defesa reage e nega envolvimento
A defesa de Wanderlei Barbosa classificou o afastamento como “desproporcional e precipitado” e anunciou que recorrerá da decisão.
A primeira-dama Karynne Sotero afirmou que rompeu vínculos com Lustosa em 2017 e que não tem qualquer relação com os fatos investigados.
Os demais citados também negaram as acusações e alegaram que os áudios foram “tirados de contexto”.
Indignação popular e crise política
O escândalo gerou forte repercussão em Palmas e em todo o Tocantins, com manifestações de cidadãos revoltados com o suposto desvio de recursos destinados a famílias carentes.
Lideranças políticas e entidades civis cobram punição exemplar aos envolvidos e celeridade nas apurações. O episódio ocorre na mesma semana em que o Estado celebrou 37 anos de criação, transformando a data em símbolo de indignação popular e reforçando o debate sobre ética e transparência na gestão pública.









