A prática configura um claro ambiente de pressão e possível extorsão velada, violando princípios da administração pública e expondo a gestão de Rubens da Paixão a graves acusações de improbidade administrativa, tráfico de influência e nepotismo, dado o parentesco familiar com a secretária.

MONTE DO CARMO (TO) – A gestão do prefeito Rubens da Paixão passou a enfrentar novas e graves acusações após a circulação de uma mensagem enviada via WhatsApp a fornecedores da Prefeitura de Monte do Carmo. O conteúdo, atribuído à secretária Reijane Pereira Amaral, solicita apoio financeiro em dinheiro para a realização da festa de Réveillon do município, sob a justificativa de que a administração pública não teria recursos para arcar com os custos do evento. A situação tem provocado forte repercussão entre empresários locais, que relatam constrangimento e temor de possíveis retaliações administrativas, levantando suspeitas de pressão institucional, abuso de poder e eventual extorsão velada.

Conteúdo da mensagem pede contribuição direta em dinheiro

Conforme a mensagem divulgada, o texto inicia com um cumprimento informal e segue solicitando colaboração financeira “em nome do prefeito” para viabilizar a festividade. A secretária afirma que a prefeitura “não poderá arcar com tais despesas”, detalha a previsão de um jantar para cerca de duas mil pessoas e pede que os destinatários informem “com qual valor em dinheiro você poderia contribuir”. Ainda segundo o conteúdo, a arrecadação ocorreria de forma presencial, diretamente com a própria secretária, apresentada como “representante da organização do evento”.

Uso de símbolos oficiais reforça suspeitas de irregularidade

Outro ponto que agrava a denúncia é o fato de a mensagem circular acompanhada do brasão oficial da Prefeitura de Monte do Carmo, além da identificação da gestão 2025/2028 e do slogan institucional “Um Novo Tempo”. O uso de símbolos oficiais em uma solicitação de recursos privados levanta questionamentos sobre desvio de finalidade e possível utilização indevida da estrutura pública.

Empresários relatam medo de represálias administrativas

Entretanto, de acordo com relatos colhidos junto a fornecedores, há um clima de insegurança e constrangimento. Empresários afirmam temer consequências como atrasos em pagamentos, rompimento de contratos ou dificuldades futuras em processos administrativos, caso optem por não contribuir financeiramente.
Contudo, esse cenário reforça a percepção de que a prática extrapola um simples pedido informal e pode caracterizar pressão indireta, incompatível com os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.

Possíveis crimes e vínculo familiar entram no debate

No entanto, a denúncia também reacende críticas relacionadas ao parentesco familiar entre o prefeito Rubens da Paixão e a secretária Reijane Pereira Amaral, o que levanta suspeitas de nepotismo, tráfico de influência e improbidade administrativa. Segundo fontes locais, a atuação da secretária ultrapassaria sua pasta, com interferência em diferentes setores da administração municipal.

Contraste entre pedidos de doação e gastos elevados

Paralelamente, chama atenção o contraste entre o pedido de doações em dinheiro para custear um evento público e o histórico recente de contratações consideradas luxuosas, incluindo artistas nacionais de alto cachê. Para críticos da gestão, o cenário revela uma administração que prioriza a aparência e a ostentação, em detrimento da transparência e da responsabilidade fiscal.

Denúncias devem chegar ao MPTO e à Polícia Civil

Além disso, os fornecedores informaram que estão reunindo provas documentais, incluindo mensagens, imagens e registros de conversas, com o objetivo de formalizar denúncias junto ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) e à Polícia Civil. A repercussão do caso nas redes sociais tem ampliado a indignação popular, sintetizada na frase que acompanha a imagem divulgada: “Que vergonha, Monte do Carmo!”.

Prefeitura segue sem se manifestar

Até o fechamento desta reportagem, nem o prefeito Rubens da Paixão nem a secretária Reijane Pereira Amaral se manifestaram oficialmente sobre a autenticidade da mensagem ou a legalidade da solicitação. Embora o município mantenha site institucional ativo (montedocarmo.to.gov.br), não há qualquer nota oficial sobre o caso.

Redação