Foto: Reprodução Étocantins

A ascensão do parlamentar e a saída de Wanderlei Barbosa do Palácio Araguaia em abril aceleram a “dança das cadeiras” entre os principais nomes do Estado.

PALMAS (TO) – O cenário político do Tocantins em fevereiro de 2026 apresenta um estado de alerta máximo nos corredores do poder. A consolidação de Vicentinho Júnior na liderança da sucessão estadual, atingindo 46% de favoritismo, somada à decisão estratégica do governador Wanderlei Barbosa de disputar o Senado, provocou um efeito cascata que reconfigura as alianças majoritárias e atropela pretensões de antigos aliados.

O Fator Vicentinho e o Recálculo das Elites

A ascensão frenética de Vicentinho Júnior força um rearranjo imediato entre nomes de peso:

  • Eduardo Gomes: Recalcula sua rota em direção à reeleição ao Senado, buscando um “caminho suave” para mitigar uma rejeição que hoje oscila em torno de 34%.

  • Professora Dorinha: Com rejeição próxima a 38%, tenta se estabelecer como a âncora de estabilidade do grupo governista. Seu mandato garantido até 2031, em tese lhe confere uma segurança institucional necessária para navegar em meio à turbulência.

Panorama Eleitoral: Intenções e Rejeição (Fev/2026)

Pré-candidato Intenção de Voto Rejeição Estimada Perfil do Desgaste
Vicentinho Jr. 38% a 46% < 15% Baixo recall ou desconhecimento em nichos.
Eduardo Gomes 26% a 31% 29% a 34% Alinhamentos ideológicos pregressos.
Profª. Dorinha 18% a 23% 31% a 38% Busca do eleitor por nomes fora do grupo.

A Ruptura: Wanderlei Barbosa vs. Laurez Moreira

O ponto de ebulição da crise é a hostilidade pública entre o governador e seu vice. O que antes era uma parceria eleitoral transformou-se em guerra aberta. Wanderlei tem isolado Laurez — inclusive transferindo seu gabinete para fora da sede do governo — e apoiado medidas para limitar os poderes do sucessor.

Essa “transição hostil” torna o mês de abril de 2026 o verdadeiro divisor de águas. Com a desincompatibilização de Wanderlei para concorrer ao Senado, Laurez Moreira assumirá o comando do Estado como um “adversário com a caneta na mão”, deixando a base governista tradicional em estado de incerteza.

O Orçamento como Arma de Guerra

Com a iminente posse de Laurez, a gestão do orçamento estadual deixará de ser técnica para se tornar puramente estratégica:

  1. Blindagem Orçamentária: Wanderlei corre para acelerar convênios de infraestrutura em Palmas e no interior antes de abril, temendo que Laurez utilize o erário para asfixiar aliados e fortalecer uma candidatura própria.

  2. Disputa Municipalista: Laurez terá o desafio de frear o avanço de Vicentinho Júnior sobre os prefeitos do interior, utilizando o remanejamento de verbas para tentar cooptar lideranças que ainda respondem a Wanderlei.

  3. Vácuo Federal: Na Câmara Federal, parlamentares como Carlos Gaguim e Alexandre Guimarães movimentam-se para herdar o espaço e as emendas deixadas por Vicentinho, buscando garantir recursos que compensem eventuais cortes da nova gestão estadual.

Conclusão: O Desafio da Transição Traumática

A sobrevivência política do grupo governista dependerá da capacidade de Laurez Moreira em transformar o orçamento em um escudo protetor. Se a gestão estadual conseguir entregar obras com velocidade, especialmente em Palmas, poderá conter o fôlego da oposição. Todavia, o tempo é o principal adversário: qualquer hesitação administrativa ou política durante a troca de comando em abril pode tornar o favoritismo de Vicentinho Júnior irreversível até o segundo semestre de 2026.

Perques Leonel