Documento encontrado pela Polícia Federal durante a Operação Maximus contém nomes de 13 advogados com classificações de “veto” e “sugestão”, levantando suspeitas de interferência política e corrupção no Judiciário do Tocantins.

BRASÍLIA/PALMAS(TO) – A Polícia Federal (PF) incluiu nas investigações da Operação Maximus um documento manuscrito intitulado “Veto Absoluto”, apreendido na residência do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto. A folha contém uma relação de 13 advogados do Tocantins, dos quais 11 são marcados como vetados e dois como sugeridos para ocuparem cargos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO). O material é peça-chave no inquérito que apura um suposto esquema de venda de sentenças, lavagem de dinheiro e organização criminosa na cúpula do Judiciário estadual.

Indícios de manipulação em escolhas institucionais

De acordo com o relatório da Polícia Judiciária, a existência dessa lista causa estranheza aos investigadores, visto que a composição do tribunal eleitoral deve seguir ritos formais e independentes. Consequentemente, a PF levanta a hipótese de que o processo de escolha de juízes membros do TRE-TO, ocorrido em 2021, tenha sofrido influências externas para beneficiar nomes específicos em detrimento de outros candidatos qualificados.

Dentre os nomes citados como “sugestões”, a advogada Delícia Feitosa Ferreira Sudbrack chegou a ser empossada na Corte naquele ano. Outro nome sugerido, o procurador Rodrigo Meneses dos Santos, figurou na lista tríplice como um dos mais votados. Em contrapartida, diversos advogados listados sob o rótulo de “veto absoluto” também participaram do certame, o que reforça a tese de um controle prévio sobre quem poderia ou não ascender ao cargo.

O acervo da Operação Maximus

Além do documento de vetos, o mandado de busca e apreensão na casa do magistrado resultou no recolhimento de um vasto material probatório. Nesse sentido, os agentes federais retiveram cadernetas de anotações, blocos de notas, contratos e envelopes com comprovantes financeiros. Enquanto parte desse material foi descartada por não apresentar relevância criminal, outros itens seguem sob custódia para perícia detalhada, visando rastrear o fluxo financeiro da suposta organização.

Entenda o esquema sob investigação

A Operação Maximus teve início em 2023, motivada por uma denúncia de um informante confidencial sobre a “mercancia de decisões judiciais” no Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO). Além disso, a investigação aponta que o esquema contaria com articuladores centrais, como Thiago Sulino de Castro e Thales André Pereira Maia, que fariam a ponte entre magistrados, servidores e advogados.

Até o momento, os envolvidos respondem por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto foi procurada para comentar o teor do documento apreendido, mas ainda não se manifestou.

Redação