Com garra, raça e 56 anos de história, o Jacu superou o Inchu por 3 a 1 em uma final eletrizante e cumpriu o sonho que o idealizador Chico Avelino carregou por toda a vida.

Monte do Carmo (TO), 11 de abril de 2026 — O futebol de Monte do Carmo ganhou um capítulo que vai além dos gramados nesta tarde de sábado. Com emoção, determinação e uma carga histórica difícil de mensurar, o Jacu Futebol Clube sagrou-se campeão do Campeonato da Roça 2026 ao derrotar o Inchu pelo placar de 3 a 1. Mais do que um troféu, o título encerra uma espera de 26 anos e realiza, postumamente, o maior sonho do homem que fundou esse clube: Chico Avelino.

A Final

A partida foi disputada com intensidade do primeiro ao último minuto. O Jacu tomou as rédeas do jogo desde cedo e abriu o placar com Lucas Mangulão, que, com frieza, inaugurou o marcador e acendeu a torcida. A vantagem foi ampliada por Gabriel, que chegou ao segundo gol e colocou o título cada vez mais perto das mãos do Jacu.

Foi então que a partida ganhou seu momento mais tenso. A defesa do Jacu falhou e sofreu um gol contra, diminuindo o placar para 2 a 1 e devolvendo ao Inchu uma esperança que parecia extinta. A torcida na beirada do campo conteve a respiração. Mas foi aí que o caráter do time se revelou: em vez de recuar diante do erro, o Jacu reagiu com ainda mais intensidade, foi para cima do adversário e não deixou espaço para qualquer reação.

Lucas Capanga chegou para fechar a conta. Com autoridade e precisão, marcou o terceiro gol, restabeleceu a diferença de dois tentos e encerrou qualquer dúvida sobre o destino da taça. Placar final: 3 a 1. O Jacu é campeão do Campeonato da Roça, Edição 2026, consagrando não só o talento em campo, mas também a força mental de um time que não se abala diante da adversidade.

O Sonho de Chico Avelino

Chico Avelino foi o idealizador do Jacu Futebol Clube, o homem que o fundou, que sonhou com ele e que construiu sua identidade ao longo de décadas. Durante toda a sua vida, carregou um único desejo que o Campeonato da Roça, criado há 26 anos, nunca havia conseguido realizar: ver o Jacu levantar a taça. Chico Avelino partiu antes que esse dia chegasse. Mas a paixão que plantou não desapareceu com ele. Familiares e amigos herdaram o amor pelo clube, abraçaram a causa como ele abraçou e continuaram a saga por anos — porque, quando o amor por algo é verdadeiro, ele não se apaga com o tempo.

Foram eles que estiveram na beirada do campo nesta tarde, que vibraram a cada gol e que, ao apito final, choraram não apenas de alegria pelo presente, mas de saudade de quem não pôde estar ali para ver. O título, portanto, tem um destinatário especial. E é exatamente isso que o torna ainda maior.

Cinquenta e Seis Anos de Tradição

Fundado há 56 anos, o Jacu é uma das instituições mais antigas do futebol amador de Monte do Carmo. Ao longo das 26 edições do Campeonato da Roça, o título máximo havia escapado das mãos do clube em diversas ocasiões — seja pela qualidade do adversário, seja pelas circunstâncias do jogo. Em 2026, não havia mais espaço para o acaso. O Jacu foi campeão com mérito, com personalidade e com a prova concreta de que times com história sabem o que fazer quando a pressão aumenta.

A Celebração

Ao soar do apito final, jogadores, comissão técnica e torcedores se misturaram em campo numa festa que transcendeu o futebol. Nos rostos, a expressão de quem sabe que aquele momento vai além de uma taça. Nos olhares mais velhos, a certeza de que Chico Avelino estava ali, de alguma forma, vendo tudo. O Jacu é campeão da roça. E essa conquista tem história, tem raiz, tem garra e tem o nome de quem nunca deixou de acreditar.

Da Redação: Agradecimento especial, a Maria Regina Coelho, neta de Chico Avelino, e a Gustavo Nunes, pela colaboração com informações que enriqueceram este texto.
Perques Leonel