Em entrevista, senador Eduardo Gomes (PL-TO) avaliou os oito anos de mandato, comentou investigação da Polícia Federal sobre emendas parlamentares e defendeu a manutenção das cotas raciais em concursos públicos

PALMAS — O senador Eduardo Gomes (PL-TO), candidato à reeleição ao Senado nas eleições de 2026, concedeu entrevista ao programa Bom Dia Tocantins, da TV Anhanguera, na qual defendeu os resultados do seu primeiro mandato, rebateu suspeitas levantadas pela Polícia Federal envolvendo repasses de emendas parlamentares e comentou temas como saúde pública, política de cotas raciais e desempenho nas pesquisas eleitorais no Estado.

Liderança durante a pandemia e balanço do mandato

Ao relembrar o início do mandato, Eduardo Gomes destacou a indicação, ainda nos primeiros dias, para a liderança do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, cargo que classificou como inédito para um parlamentar tocantinense. Segundo o senador, a função colocou sobre seus ombros a articulação entre bancadas governistas e de oposição durante a pandemia de Covid-19, período em que o Congresso aprovou medidas como o auxílio emergencial e o Pronampe, linha de crédito que, segundo ele, sustentou cerca de dez milhões de empregos em todo o país e beneficiou praticamente todas as pequenas e médias empresas do Tocantins.

O senador afirmou ainda ter presidido comissões relevantes e assumido relatorias estratégicas no Senado ao longo dos oito anos de mandato, atribuindo a esse histórico a base da sua candidatura à reeleição.

Investigação da PF sobre repasses de emendas

A entrevista também abordou mensagens obtidas pela Polícia Federal, trocadas em 2022 entre Lionel Bezerra, auxiliar ligado ao senador, e um assessor do deputado federal Josimar Maranhãozinho. De acordo com a investigação, as conversas mostram cobrança de um saldo devedor de 1,3 milhão de reais e pedido de pagamento de ao menos 150 mil reais, o que levantou suspeitas de negociação envolvendo percentuais de emendas parlamentares.

Eduardo Gomes negou conhecimento da cobrança e afirmou não ter sido formalmente ouvido pelas autoridades sobre o caso. Segundo ele, nenhuma emenda de sua autoria deixou de ser destinada ao Tocantins nos oito anos de mandato, e o episódio estaria relacionado à sua atuação como líder do governo no Congresso, período em que, segundo o senador, as indicações de emendas de todos os estados e do Distrito Federal passavam pela liderança governista antes de mudanças no rito orçamentário, das quais afirma ter sido relator por orientação do Supremo Tribunal Federal. Questionado sobre um print de mensagem que a PF associa a ele, o parlamentar disse que se trata de conteúdo atribuído sem comprovação e que pretende esclarecer o ponto quando for formalmente questionado.

Saúde é apontada como principal preocupação

Levantamento do instituto Quest apontou a saúde como o problema mais grave do Tocantins na avaliação de 41% dos eleitores ouvidos. Diante do dado, o senador citou como resultados concretos do mandato os recursos destinados ao Hospital de Amor, em Palmas, que segundo ele já somam cerca de 150 milhões de reais e atendem pacientes de toda a região, além de investimentos no Hospital Dom Orione, em Araguaína, que classificou como fundamentais durante a pandemia. Gomes reconheceu que a área ainda demanda mais recursos e citou a existência de um programa em preparação, sob condução da deputada federal Professora Dorinha, voltado à modernização do sistema estadual de saúde.

Cotas raciais devem ser mantidas, diz senador

Sobre a legislação federal que reserva, desde 2025, 30% das vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas, Eduardo Gomes defendeu a manutenção da política, associada a critérios de cota social. O senador afirmou ter presidido o Senado no momento em que o então senador Paulo Paim conduziu a última aprovação do sistema de cotas no país e disse ter contribuído diretamente para a formulação da lei mais recente sobre o tema.

Empate técnico e desafio de reconhecimento eleitoral

A pesquisa Quest apontou Eduardo Gomes com 14% das intenções de voto, em empate técnico com os primeiros colocados na disputa ao Senado, mas revelou também que 49% dos eleitores tocantinenses não o conhecem, mesmo após quase oito anos de mandato e cargos de destaque em Brasília. O senador atribuiu o índice a um padrão nacional, argumentando que todos os candidatos em disputa têm nível de reconhecimento inferior ao seu e que a campanha eleitoral serve justamente para ampliar essa comunicação com o eleitor.

Produção legislativa: da LGPD à regulamentação da inteligência artificial

Questionado sobre sua principal contribuição legislativa de autoria exclusiva, o senador citou ser relator de pelo menos cinco das dez matérias consideradas mais relevantes em tramitação no Congresso Nacional, entre elas a regulamentação da inteligência artificial no país, já aprovada no Senado e em análise na Câmara dos Deputados, e a regulamentação do setor de streaming. Também mencionou a Lei 14.188, de 2021, que obriga poder público, prefeituras e estados a garantir matrícula escolar prioritária para mulheres vítimas de violência doméstica em unidades próximas de suas residências, além da proposta de emenda constitucional de sua autoria que assegura o direito à proteção de dados pessoais no texto da Constituição, base da Lei Geral de Proteção de Dados.

O que está em jogo para o Tocantins

A disputa pela vaga que Eduardo Gomes ocupa no Senado é um dos pontos centrais da eleição de 2026 no Tocantins, ao lado da corrida ao governo do Estado. O resultado definirá quem representará o Estado na Casa por mais oito anos, em um momento em que pautas como regulamentação da inteligência artificial, investimentos em saúde pública e política de cotas seguem em debate no Congresso Nacional e impactam diretamente municípios tocantinenses.

Perques Leonel