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Com apoio declarado de 17 dos 23 vereadores e a desistência de Folha, atual presidente enfrenta a candidatura de Iolanda Castro, do mesmo partido, na eleição da Mesa Diretora do biênio 2027-2028, marcada para as 9 horas

PALMAS (TO) – A Câmara Municipal de Palmas elege, nesta quinta-feira (1º), às 9 horas, no Plenário Tarcísio Machado da Fonseca, a Mesa Diretora que comandará o Legislativo da capital no biênio 2027-2028. O atual presidente, Marilon Barbosa (Republicanos), chega como favorito à reeleição, com apoio declarado de cerca de 17 dos 23 vereadores, mas terá pela frente a candidatura da vereadora Professora Iolanda Castro, também do Republicanos, que manteve o nome na disputa.

Como será a votação

A eleição foi convocada por meio do Ofício nº 206/2026/MD, assinado pelo próprio Marilon, que chama os 23 vereadores para a sessão. De acordo com o Regimento Interno, a votação é secreta e só ocorre com a presença da maioria absoluta dos parlamentares. Para a presidência, será eleito o candidato que obtiver maioria absoluta dos votos, o que, em um plenário de 23 cadeiras, equivale a 12 votos. Nos demais cargos da Mesa, basta a maioria simples. A sessão será aberta ao público e à imprensa. Além disso, a população poderá acompanhar a votação pelo canal oficial da Câmara de Palmas no YouTube e pela TV Câmara Palmas, no canal 10.3.

Folha desiste e reforça a chapa do presidente

O cenário mudou de forma decisiva em 15 de setembro, quando o vereador Folha (PSDB), até então o principal adversário de Marilon, retirou a candidatura e declarou apoio à recondução do atual presidente. Licenciado do mandato e secretário de Relações Institucionais de Palmas, Folha afirmou que tomou a decisão após pedido do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), em nome da pacificação da Casa. Ele citou ainda conversas com Marilon e com o senador Eduardo Gomes (PL).

Com a adesão, Marilon afirma reunir cerca de 17 votos, número que, segundo relatos de bastidores, pode chegar a 22. Trata-se, porém, de contagem feita pelo próprio grupo, sem confirmação independente. A chapa tem o vereador Márcio Reis (PSDB), o mais votado da capital nas eleições de 2024, como candidato a vice-presidente. Na apresentação da composição, estavam presentes, entre outros, Joathan de Jesus (PL), Zé Branquim (PP), Eudes Assis (PSDB), Karina Café e Vinícius Pires, ambos do Republicanos.

A presença de Vinícius Pires, apontado como um dos principais nomes da oposição ao prefeito na Câmara, ilustra a diversidade do grupo. Questionado a respeito, Marilon disse pretender manter espaço para o contraditório dentro do Legislativo. Ele também creditou ao senador Eduardo Gomes e ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), seu irmão, os avanços nas negociações, e agradeceu ao prefeito pela ajuda na articulação.

Iolanda Castro mantém candidatura

Entretanto, apesar da consolidação da chapa do presidente, a disputa não é de candidatura única. A vereadora Professora Iolanda Castro, em segundo mandato, anunciou que concorreria à presidência defendendo uma renovação na condução da Casa e maior participação dos vereadores nas decisões, independentemente de grupo político ou de posicionamento partidário. Ela também destacou sua boa relação política com o prefeito.

Embora pertençam ao mesmo partido, Iolanda e Marilon seguem com projetos distintos para o comando da Câmara. Entretanto, na apresentação da chapa, o presidente não a incluiu na composição e disse que ainda pretendia conversar com vereadores para ampliar o grupo. Segundo as últimas informações apuradas, ela mantinha o nome à disposição. Como o voto é secreto, o desempenho da vereadora será um termômetro do grau de dissidência dentro da base que se declara majoritária.

Precedente de 2025 e nova regra de reeleição

Ademais, o histórico recomenda cautela. Em janeiro de 2025, Marilon foi eleito para o biênio 2025-2026 por apenas um voto de diferença, 12 a 11, sobre o próprio Folha, em uma eleição marcada por intensa articulação e discussões acaloradas. Agora em quarto mandato como vereador, ele já havia presidido a Casa no biênio 2019-2020.

Contudo, a candidatura à recondução só é possível em razão da mudança na Lei Orgânica do Município, que passou a permitir uma única reeleição consecutiva para o mesmo cargo da Mesa Diretora. Nos bastidores, a avaliação é de que Marilon ampliou sua força política ao longo dos últimos meses justamente a partir dessa alteração.

Composição atual e cargos ainda indefinidos

Contudo, a Mesa em exercício tem Marilon na presidência, Marcos Júnior (PL) na vice-presidência, Tiago Borges (PL) como primeiro secretário e Zé Branquim (PP) como segundo secretário. Até o fechamento desta matéria, a reportagem não localizou a relação de candidatos aos cargos de primeiro, segundo e terceiro secretários para o próximo biênio, o que deve ser definido na própria sessão.

O que está em jogo para Palmas e para o Tocantins

Dessa forma, a escolha da Mesa Diretora define quem conduzirá a pauta, a relação com o Executivo e a organização interna do Legislativo da capital pelos próximos dois anos. Em um contexto de alianças que reúnem prefeitura, governo do Estado e bancada federal, a votação de quinta-feira funcionará como medida da força dessas articulações na capital, a poucos dias das eleições gerais. O resultado dirá, ainda, se a pacificação anunciada se sustentará nas urnas secretas do Plenário ou se a Câmara de Palmas voltará a viver uma eleição apertada.

Redação