Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Aleto em 3 de setembro de 2025; dez gabinetes foram alvos enquanto a investigação apura suposto desvio de recursos para cestas básicas.
Nesta quarta-feira, 3 de setembro, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Fames-19, cumprindo mandados de busca e apreensão na Assembleia Legislativa do Tocantins e em endereços relacionados. A investigação apura suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de covid-19. Nesse contexto, agentes federais também atuaram em outras cidades e estados como parte da mesma ofensiva.
Gabinetes e nomes citados na operação
Segundo notas oficiais e relatos da imprensa, os mandados foram direcionados a gabinetes de ao menos dez deputados estaduais. As listas publicadas variam entre veículos, mas os nomes citados com recorrência incluem: Amélio Cayres, Cláudia Lélis, Cleiton Cardoso, Jorge Frederico, Ivory (Ivory de Lira/ Ivory Lira), Léo (Leo) Barbosa, Nilton Franco, Valdemar/Waldemar Júnior, Olyntho Neto e Vilmar (Vilmar de Oliveira/Vilmar do Detran). Em razão da divergência nominal entre fontes, o levantamento consolidado e as notas oficiais foram consultados para evitar erros de grafia.
Escopo e bens apreendidos — o que já se sabe
A operação envolveu dezenas de mandados em vários estados e resultou na apreensão de documentos, notebooks e, em algumas frentes, valores e bens relacionados às investigações. As autoridades federais buscam documentos e provas sobre a destinação de emendas e a interlocução entre parlamentares e fornecedores das cestas. Até o momento, não houve divulgação detalhada pela PF sobre a totalidade do material apreendido.
Possíveis crimes e consequências jurídicas (análise de especialistas)
Conforme já indicado genericamente a partir de análises jurídicas públicas sobre casos similares, e em linha com os fatos apurados pela PF, os investigados poderiam ser enquadrados, conforme apuração das provas, por crimes como peculato, corrupção ativa ou passiva e associação criminosa tipificações que dependem das provas coletadas e das condutas individualmente atribuídas. As penas, quando aplicáveis, podem incluir reclusão, além de sanções políticas e administrativas como perda de mandato, cassação e inelegibilidade. Essas consequências variam conforme a tipificação final pela denúncia do Ministério Público e o julgamento em instância penal e eleitoral/administrativa.
Reação institucional e próximos passos processuais
Por fim, a Assembleia Legislativa do Tocantins divulgou nota afirmando que tem prestado cooperação às investigações e que os trabalhos da Casa seguem em conformidade com a solicitação das autoridades. Por sua vez, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devem dar seguimento ao inquérito, que pode resultar em novas medidas cautelares, pedidos de afastamento, indiciamentos ou denúncias criminais dependendo do andamento das diligências. A cobertura indica que a operação faz parte de um esforço de investigação amplo em torno de recursos destinados no período da pandemia.
Repercussão política no Tocantins
Entretanto, além do efeito imediato de constrangimento e tensão nos corredores da Aleto, a operação teve impactos políticos já percebidos: debates sobre transparência no uso de emendas parlamentares, pedidos de esclarecimento por parte da sociedade civil e reações de lideranças locais. Em um caso relacionado, medidas judiciais correlatas chegaram a afastar autoridades estaduais em fases anteriores da investigação, o que sinaliza a possibilidade de desdobramentos ainda relevantes para o Executivo e o Legislativo do estado.
O que falta apurar, (e por quê isso importa?)
Contudo, ainda faltam informações formais sobre: (1) o conteúdo preciso dos documentos apreendidos; (2) a individualização das condutas e a eventual formalização de denúncias; e (3) o impacto financeiro mensurado do suposto desvio. Essas lacunas são centrais porque definem a tipificação criminal e as consequentes responsabilidades políticas — isto é, sem esses elementos fica prematuro afirmar, com precisão, quem responderá por quais crimes e quais serão as penas aplicáveis.








