Foto: Governo TO/Divulgação

A operação gerou repercussão imediata no estado, com analistas políticos apontando possíveis impactos na estabilidade governamental, especialmente em um ano de eleições gerais em 2026.

PALMAS, TO – 03 de setembro de 2025 – O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias nesta quarta-feira (3), em uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A medida, determinada pelo ministro Mauro Campbell Marques, faz parte da segunda fase da Operação Fames-19, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19. O vice-governador Laurez Moreira assume interinamente o comando do Executivo estadual durante o período de suspensão.

A operação, que mobilizou cerca de 200 agentes federais, cumpriu 51 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governador, incluindo sua residência e o Palácio Araguaia, sede do governo em Palmas. As ações se estenderam também ao Distrito Federal, Paraíba e Maranhão.

Além do governador Wanderlei Barbosa, também foi afastada por seis meses a primeira-dama Karynne Sotero, que ocupara o cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais . Os filhos do governador, o deputado estadual Ygor Leonardo Barbosa (Léo Barbosa) e Rérison Antônio Castro Leite (superintendente do Sebrae-TO), haviam sido alvos de buscas na primeira fase da investigação, em agosto de 2024, mas não há confirmação de novas medidas contra eles nesta etapa.

As Acusações e o Esquema Investigado

De acordo com a PF, o esquema envolve fraudes em contratos para a aquisição de cestas básicas e frangos congelados, financiados por emendas parlamentares federais durante a pandemia de Covid-19. Os recursos, destinados a ações emergenciais de saúde e assistência social, teriam sido desviados para fins pessoais e empresariais, incluindo investimentos em empreendimentos imobiliários de luxo, compra de gado e despesas particulares dos envolvidos.

O prejuízo aos cofres públicos é estimado entre R$ 71 milhões e R$ 73 milhões, segundo cálculos preliminares da investigação. A primeira fase da Operação Fames-19 ocorreu em agosto de 2024, quando mandados de busca foram cumpridos em endereços de Barbosa e familiares, autorizados pelo mesmo ministro do STJ.

Na ocasião, o governador exonerou sete servidores supostamente envolvidos no esquema, em uma tentativa de demonstrar transparência. No entanto, as apurações avançaram, culminando no afastamento atual. A decisão do ministro Campbell ainda será submetida à análise da Corte Especial do STJ, que pode confirmar ou rever a medida.

Trajetória Política de Wanderlei Barbosa

Wanderlei Barbosa Castro, de 61 anos, nasceu em Porto Nacional (TO) e iniciou sua carreira política em 1989, como vereador na cidade natal, cargo que ocupou até 1997. Filho de Fenelon Barbosa, primeiro prefeito de Palmas, e de Maria Rosa Castro, primeira secretária de Educação da capital tocantinense, ele se mudou para Palmas em 1997, onde foi eleito vereador e presidiu a Câmara Municipal em dois mandatos (2003-2004 e 2009-2010).

Eleito deputado estadual em 2010 e reeleito em 2014, Barbosa ascendeu ao posto de vice-governador em 2018, na chapa de Mauro Carlesse (PSL). Assumiu interinamente o governo em 2021, após o afastamento de Carlesse por suspeitas de propina, e tomou posse definitiva em março de 2022, com a renúncia do antecessor. No mesmo ano, foi reeleito governador no primeiro turno, com 58,14% dos votos válidos. Empresário e filiado ao Republicanos, Barbosa é casado com Karynne Sotero e pai de três filhos.

Reações e Implicações

Até o momento, a defesa de Wanderlei Barbosa não se manifestou publicamente sobre o afastamento, informando que só se pronunciará após acessar os autos do processo. A assessoria de imprensa do governo do Tocantins também não emitiu nota oficial sobre o caso.

A operação gerou repercussão imediata no estado, com analistas políticos apontando possíveis impactos na estabilidade governamental, especialmente em um ano de eleições gerais em 2026. Especialistas consultados por veículos de imprensa destacam que o caso reforça a necessidade de maior fiscalização sobre emendas parlamentares, instrumento que tem sido alvo recorrente de investigações por desvios.

O STJ e a PF continuam as apurações, e novas fases da operação não estão descartadas. Enquanto isso, o Tocantins entra em um período de transição sob o comando do vice governador Laurez Moreira, ex-prefeito de Gurupi e ex-aliado político de Barbosa.

Esta matéria será atualizada conforme novas informações forem divulgadas pelas autoridades.
Perques Leonel