Entre o aplauso barato e o silêncio sobre o verdadeiro subdesenvolvimento. Em diversos momentos da história, líderes latino-americanos transformaram o antiamericanismo em espetáculo.

“O doce exercício de xingar os americanos em nome do nacionalismo nos exime de pesquisar as causas do subdesenvolvimento e permite a qualquer imbecil arrancar aplausos em comícios.” A frase, dura e provocativa, escancara uma prática política recorrente: transferir responsabilidades para fora das fronteiras, ao invés de encarar de frente os problemas internos.

Em diversos momentos da história, líderes latino-americanos transformaram o antiamericanismo em espetáculo. Bastava levantar a voz contra “o imperialismo” para receber o aplauso fácil de plateias inflamadas. O inimigo externo rendia popularidade instantânea, enquanto corrupção, má gestão, burocracia e ineficiência seguiam intocados.

O mais grave é que esse expediente, ainda hoje, funciona como um anestésico social. Distrai a população, cria a ilusão de resistência patriótica, mas não gera empregos, não melhora escolas, não fortalece hospitais e tampouco combate desigualdades. O discurso serve ao palanque, mas não à nação.

De fato, o verdadeiro exercício de soberania está em enfrentar os gargalos estruturais que travam o desenvolvimento, sem terceirizar culpas. Nacionalismo de comício é pirotecnia. O que o Brasil e boa parte da América Latina precisa é de seriedade, compromisso e coragem para reconhecer que a solução está menos em “xingamentos doces” e mais em reformas amargas, mas necessárias.

Por Perques Leonel Batista
Redação