PALMAS,(TO) – Em meio ao turbilhão da Operação Fames-19, o governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), avalia seriamente a renúncia ao cargo como estratégia para preservar seus direitos políticos e pavimentar uma candidatura ao Senado em 2026. Essa decisão, se concretizada, não apenas evitaria uma possível cassação definitiva pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas também representaria uma manobra astuta para manter viva sua influência no cenário político estadual, apesar das graves denúncias de desvio de R$ 73 milhões em recursos destinados a cestas básicas durante a pandemia.
O impasse vivido por Wanderlei Barbosa reflete o momento mais crítico de sua trajetória, marcado por um afastamento inicial de 180 dias – prorrogável conforme o avanço das investigações. Resistir às acusações, alegando perseguição política, poderia fortalecer sua base fiel e sustentar uma narrativa de inocência, mas correria o risco de agravar o desgaste jurídico e culminar na perda irreparável de elegibilidade. Por outro lado, a renúncia entregaria o Palácio Araguaia ao vice-governador Laurez Moreira (PSD), um adversário nos bastidores, o que intensificaria as disputas pelo poder e reorganizaria o tabuleiro político tocantinense.
Antes das revelações exibidas no programa Fantástico, da TV Globo, em 5 de outubro, Barbosa despontava como favorito ao Senado, com aprovação superior a 70%. Agora, o escândalo expõe as fragilidades do sistema político, onde o pragmatismo muitas vezes prevalece sobre a ética. Na minha visão, optar pela renúncia seria não apenas uma saída honrosa, mas uma lição de sobrevivência política: melhor abdicar temporariamente do executivo para ambicionar o legislativo, onde o mandato federal oferece maior proteção contra turbulências locais.
Enquanto isso, o vice Laurez Moreira ganha protagonismo na administração interina, dividindo aliados de Wanderlei Barbosa entre lealdade e oportunismo. Figuras como Amélio Cayres, presidente da Assembleia Legislativa, emergem como potenciais sucessores no grupo governista. No horizonte de 2026, candidatos como Dorinha Seabra (União Brasil) e Eduardo Gomes (PL) se posicionam para a disputa ao governo, mas uma candidatura senatorial de Barbosa poderia reequilibrar as forças, provando que, na política, o tempo – embora escasso – pode ser um aliado para quem sabe usá-lo.
Essa encruzilhada vai além da carreira individual: ela testa o equilíbrio de poder no Tocantins e reforça a necessidade de maior transparência em tempos de crise. Barbosa deve escolher com sabedoria, pois o relógio político não para, e uma decisão equivocada pode selar não só seu destino, mas o de todo o estado.











