Perques Leonel Batista é associado a atividades políticas no Brasil e análise de discursos políticos. É também conhecido por suas reflexões sobre o jornalismo moderno.

De Bratislava a Brasília: A perseguição que une mártires da fé e da liberdade, onde Bolsonaro enfrenta os regimes do medo.

A prisão de Jair Bolsonaro após a convocação de uma vigília de oração não pode ser ignorada ou tratada como ato comum. O episódio evoca paralelos inquietantes com momentos históricos nos quais governos, inseguros diante da mobilização pacífica, transformaram gestos religiosos em ameaça à ordem estabelecida.

O paralelo mais evidente remete à Revolução de Veludo, na Tchecoslováquia, em 1989. Sob a presidência de Gustáv Husák, o regime comunista reprimia manifestações de fé, censurava divergências e mantinha rígido controle sobre a sociedade. A queda desse sistema começou precisamente quando milhares de cidadãos se reuniram para uma vigília com velas em Bratislava, em 1988, em defesa da liberdade religiosa. A repressão contra pessoas que apenas oravam acelerou o colapso moral do regime, que desmoronou no ano seguinte, abrindo caminho para Václav Havel.

Observo com preocupação que o Brasil parece repetir essa lógica. Bolsonaro, já submetido a restrições que se aproximam mais de confinamento político do que de processos jurídicos equilibrados, foi preso após incentivar uma vigília pacífica. Desde quando oração constitui crime? Desde quando velas e fé se transformam em ameaça ao Estado?

A história ensina que regimes temem aquilo que não podem controlar: a consciência desperta. A Tchecoslováquia caiu não por força militar, mas porque perdeu legitimidade ao reprimir cidadãos que apenas desejavam exercer sua fé. O Estado pode encarcerar um homem, mas não aprisiona ideias.

Ao tentar silenciar Bolsonaro, busca-se atingir o movimento social que ele representa. Contudo, nenhum governo consegue conter uma mobilização pacífica quando ela nasce da convicção moral de milhões. Assim como em 1989, a luz acesa por um povo desperto acaba expondo as sombras do poder. E a luz, sempre, vence as trevas.

Redação