Apesar da firmeza atual, analistas alertam que qualquer mudança no ritmo de saída dos confinamentos ou eventual recuo nas compras chinesas pode alterar rapidamente o quadro.
Mesmo em plena entressafra, período historicamente marcado por oferta restrita e pressão de alta, o mercado do boi gordo surpreendeu e manteve preços firmes na última semana de novembro. O Indicador Cepea/Esalq encerrou sexta-feira (21) em R$ 322,45 por arroba, dentro da faixa de negociação de R$ 320 a R$ 330 observada no interior paulista após o feriado da Consciência Negra.
A estabilidade é atribuída ao manejo cauteloso dos lotes de confinamento, que chegam ao mercado de forma gradual, evitando o despejo repentino de animais e sustentando as cotações. As escalas de abate das indústrias seguem confortáveis, entre 7 e 14 dias, o que reduz a necessidade de compras agressivas e mantém o equilíbrio entre oferta e demanda.
“No pico da entressafra, esperávamos um movimento mais forte de alta, mas o confinamento está funcionando como regulador natural”, explica Hyberville Neto, pesquisador do Cepea. “Os pecuaristas estão dosando a saída dos bois gordos e isso tem segurado o mercado.”
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina à vista fechou a R$ 22,82/kg, patamar estável em relação às semanas anteriores. A demanda interna permanece morna, mas as exportações – especialmente para China e Estados Unidos – continuam dando suporte às margens dos frigoríficos.
O cenário positivo ganhou novo fôlego com a recente redução de 40% nas tarifas americanas sobre a carne brasileira, o que impulsionou os contratos futuros na B3 em até R$ 15 por arroba na sexta-feira. Operadores já precificam o boi gordo de dezembro acima de R$ 340/@, sinalizando que o pico anual pode estar próximo.
Apesar da firmeza atual, analistas alertam que qualquer mudança no ritmo de saída dos confinamentos ou eventual recuo nas compras chinesas pode alterar rapidamente o quadro. Por ora, o mercado vive um raro momento de tranquilidade em meio à sazonalidade mais desafiadora do ano.
Fonte: Cepea/Esalq, Scot Consultoria, Agrifatto











