Pequim estabelece sobretaxa de 55% para exportações acima da cota; medida deve gerar perdas bilionárias e expõe fragilidade na diplomacia do governo.

No apagar das luzes de 2025, o agronegócio brasileiro recebeu uma notícia que deve impactar profundamente a economia em 2026. O governo da China anunciou, em 31 de dezembro, a implementação de medidas protecionistas severas contra a carne bovina do Brasil. A partir de 1º de janeiro, os embarques que excederem o limite de 1,1 milhão de toneladas anuais serão taxados com uma tarifa adicional de 55%, elevando drasticamente o custo do produto brasileiro no maior mercado consumidor do mundo.

Teto de exportação é inferior ao volume atual

A medida é vista como um golpe duro por ser restritiva até mesmo para os padrões atuais de comércio. A cota de 1,1 milhão de toneladas estipulada por Pequim é menor do que o volume total de carne que o Brasil já havia exportado para o país asiático até novembro de 2025. Na prática, isso significa uma redução forçada nas vendas externas e um represamento da produção nacional.

Falha diplomática e pressão sobre o Planalto

O anúncio gerou uma onda imediata de críticas à condução da política externa brasileira. Embora a China venha sinalizando essa movimentação desde a abertura de investigações comerciais em 2024, a diplomacia do governo Lula não conseguiu negociar cotas mais amplas. Com a economia chinesa em desaceleração e o foco voltado para o fomento da produção local, o Brasil perdeu terreno para defender um de seus principais pilares da balança comercial.

Reflexos no bolso do produtor e no emprego

Devido à impossibilidade de escoar o excedente para a China sem as altas taxas, o setor agropecuário brasileiro enfrentará o desafio de redirecionar a produção para mercados menos rentáveis. Especialistas alertam que essa mudança pode causar:

  • Queda nos preços pagos ao produtor: Com o excesso de oferta interna e menor rentabilidade externa;
  • Risco ao superávit comercial: A carne bovina é peça-chave na entrada de dólares no país;
  • Impacto no emprego: A cadeia da pecuária, do pasto ao frigorífico, pode sofrer cortes diante da redução das margens de lucro.

O que esperar para 2026

A nova realidade tarifária deve durar ao menos três anos, exigindo que o Brasil acelere a abertura de novos mercados de alto valor, como Japão e Coreia do Sul, para minimizar os danos. Enquanto isso, o setor produtivo aguarda uma resposta mais assertiva do Ministério da Agricultura e das Relações Exteriores para tentar reverter ou flexibilizar as taxas impostas pelo gigante asiático.

Perques Leonel