Segundo a PF, a operação tem como objetivo identificar todos os envolvidos em eventuais irregularidades, reunir evidências sólidas e, se necessário.

Palmas/TO – A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta sexta-feira (9/1), dois mandados de busca e apreensão em Palmas. A ação faz parte da Operação Sufrágio Limpo, que investiga suspeitas de corrupção eleitoral durante o pleito municipal de 2024 no estado. De acordo com as autoridades, a diligência foi autorizada pelo 2º Juízo das Garantias do Núcleo I, vinculado à 5ª Zona Eleitoral do Tocantins. O objetivo central é coletar provas sobre a oferta de vantagens em troca de votos, conduta que fere gravemente a integridade democrática do processo eleitoral.

Detalhes da operação

A princípio, os mandados foram executados em endereços estratégicos na capital tocantinense. Segundo a PF, a operação busca não apenas identificar os envolvidos em irregularidades, mas também reunir evidências robustas que permitam a recuperação de recursos utilizados ilicitamente. Além disso, as investigações apontam que o foco principal reside em condutas ocorridas durante a campanha para o cargo de vereador, conforme informações divulgadas por fontes policiais.

O crime de corrupção eleitoral

Nesse contexto, é fundamental compreender o que diz a legislação brasileira. Conforme estabelece o artigo 299 do Código Eleitoral, caracteriza-se como crime o ato de oferecer, prometer ou receber dinheiro e outras vantagens para influenciar o voto. Consequentemente, caso as suspeitas sejam fundamentadas, os investigados estarão sujeitos a penas de reclusão de até quatro anos, além de multas severas de 5 a 15 dias-multa.

Possíveis desdobramentos na Justiça Eleitoral

Por outro lado, o impacto da operação pode extrapolar a esfera criminal. Isso ocorre porque as provas obtidas podem ser compartilhadas com o Ministério Público Eleitoral (MPE) para embasar Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). Dessa forma, se ficar comprovado o abuso de poder econômico, os candidatos podem enfrentar a cassação de seus registros ou diplomas e a inelegibilidade por oito anos, conforme os critérios da Lei da Ficha Limpa.

Entenda o caso: próximos passos da investigação

Enquanto isso, a investigação entra em uma nova fase técnica. Após o cumprimento dos mandados, todo o material apreendido — incluindo documentos e dispositivos eletrônicos — passará por perícia. Posteriormente, os peritos cruzarão dados financeiros em busca de indícios de “caixa dois” ou promessas de vantagens indevidas. Em suma, a Polícia Federal deve encaminhar relatórios parciais à Justiça nos próximos 30 dias, a depender do volume de informações.

A operação continua em andamento e o portal ÉTocantins segue acompanhando os desdobramentos para trazer atualizações em tempo real.

Redação