
Multimorbidade e envelhecimento populacional impulsionam busca de médicos por especialização em causas de desequilíbrios metabólicos e hormonais.
Por Carolina Lara
As doenças crônicas não transmissíveis respondem por cerca de 75% das mortes no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao mesmo tempo, um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que a multimorbidade — condição na qual o mesmo paciente convive com duas ou mais patologias crônicas — tornou-se um dos maiores desafios para os sistemas de saúde globais.
Essa conjuntura epidemiológica tem provocado uma mudança na busca por atualização profissional por parte da classe médica. Em vez de concentrar os estudos prioritariamente em protocolos e tratamentos sintomáticos específicos, médicos de diferentes especialidades vêm aprofundando conhecimentos em fisiologia humana, metabolismo e regulação hormonal, com o objetivo de compreender a origem de doenças que muitas vezes não encontram respostas completas nas abordagens convencionais.
Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, esse movimento reflete uma necessidade direta da prática clínica contemporânea. De acordo com o especialista, profissionais experientes têm buscado ampliar o raciocínio fisiológico para lidar com pacientes que apresentam concomitantemente obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e distúrbios hormonais.
“O paciente de hoje raramente apresenta apenas uma enfermidade. Quando compreendemos a interrelação entre os sistemas do organismo, conseguimos interpretar melhor os sinais clínicos e construir abordagens terapêuticas individualizadas, indo além do simples controle de manifestações isoladas”, destaca o médico.
Transformação epidemiológica e prevenção
O fenômeno acompanha mudanças demográficas e de estilo de vida: o envelhecimento populacional, a prevalência da obesidade e o aumento dos casos de resistência à insulina ampliaram o número de pacientes com múltiplos diagnósticos concomitantes. A OCDE reforça que esse perfil exige cuidados integrados e equipes preparadas para correlacionar fatores como metabolismo, inflamação crônica, hormonal, nutrição e qualidade do sono.
Na avaliação de Duarte, esse cenário justifica o aumento da procura por cursos de aperfeiçoamento em fisiologia metabólica por médicos de diversas áreas, incluindo profissionais com décadas de atuação. Ele ressalta que a proposta não é substituir diretrizes e protocolos consolidados, mas expandir o entendimento sobre os mecanismos biológicos que antecedem a manifestação clínica das patologias.
“A medicina avançou significativamente em diagnósticos e intervenções. Contudo, cresce o interesse em investigar por que determinados processos fisiológicos deixam de funcionar adequadamente. Esse raciocínio possibilita ao médico conectar informações diagnósticas que antes pareciam desconectadas”, explica.
A educação médica continuada ganha ainda mais relevância frente à velocidade de publicação de novas evidências científicas. Um levantamento da Associação Médica Americana (AMA) indica que a atualização constante é fator determinante para a melhoria da qualidade do atendimento, sobretudo no manejo de doenças crônicas e no envelhecimento populacional.
Na prática consultorial, essa visão resulta em anamneses mais abrangentes, que investigam elementos como hábitos alimentares, composição corporal, marcadores inflamatórios e padrões de sono.
“Os pacientes buscam compreender as causas de seus problemas de saúde, não apenas aliviar sintomas temporariamente. Isso exige dos médicos um aprofundamento contínuo sobre o funcionamento integrado do organismo. Quanto maior essa compreensão, maiores as chances de oferecer um cuidado duradouro e personalizado”, conclui Alexandre Duarte.
Sobre Alexandre Duarte
O Dr. Alexandre Duarte é médico, professor e palestrante, especializado em fisiologia metabólica e hormonal. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), realizou especialização de 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, possui mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica, focando na investigação das causas de desequilíbrios metabólicos e medicina personalizada.
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Sobre o Instituto Avantgarde
Fundado em 2007 pelo Dr. Alexandre Duarte, o Instituto Avantgarde é um centro especializado em medicina metabólica e hormonal, com unidades em São Paulo (SP) e Florianópolis (SC). Integrante do Grupo Avantgarde, atua ao lado da Avantgarde College — instituição de capacitação médica com cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). O grupo conta com equipe multidisciplinar voltada à prevenção, diagnóstico das causas metabólicas e acompanhamento individualizado.
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Fontes de pesquisa
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/noncommunicable-diseases










