O compromisso com a fiscalização, ainda que menos popular, é o único caminho para garantir que os recursos públicos sejam realmente aplicados em benefício da população.

Em uma cidade em constante crescimento, os desafios da administração pública se tornam cada vez mais evidentes. Buracos nas ruas, trânsito congestionado, falta de iluminação e problemas na infraestrutura urbana são queixas recorrentes da população. Diante desse cenário, muitas pessoas recorrem aos vereadores para que intercedam junto à Prefeitura e busquem soluções. Mas será que essa é realmente a função de um vereador?

No imaginário popular, um bom vereador é aquele que faz pedidos ao prefeito, solicita asfaltamento para um bairro, reivindica a construção de uma ponte ou a mudança no trânsito de determinada via. Essa visão, amplamente difundida, cria a impressão de que o Legislativo municipal funciona como uma espécie de “departamento de melhorias urbanas”, onde cada parlamentar tem a missão de lutar por obras e serviços. No entanto, essa percepção está longe da realidade.

O verdadeiro papel do vereador não é pedir obras, mas sim garantir que o dinheiro público seja utilizado de maneira responsável. O Legislativo municipal tem como função primordial fiscalizar o Executivo, questionar contratos suspeitos, cobrar transparência nas licitações e verificar se as políticas públicas estão sendo conduzidas com eficiência. Em outras palavras, um vereador deve ser um guardião dos recursos da cidade, assegurando que cada centavo do contribuinte seja bem empregado.

Infelizmente, muitos parlamentares preferem seguir um caminho mais fácil: o da política do favor. Em vez de analisar o orçamento municipal e investigar possíveis desperdícios, concentram seus esforços em fazer reivindicações públicas e divulgar pequenas conquistas. Essa estratégia, embora eficiente para garantir visibilidade, tem um custo alto para a sociedade. Quando os vereadores deixam de fiscalizar e passam a atuar como intermediadores de pedidos, a administração pública perde um importante mecanismo de controle. Sem fiscalização rigorosa, aumentam as chances de má gestão, desperdício de recursos e até mesmo corrupção.

Outro ponto preocupante é a relação entre essa prática e o calendário eleitoral. Às vésperas de uma eleição, é comum que vereadores intensifiquem sua atuação como “porta-vozes das melhorias urbanas”, anunciando pedidos de obras e pequenas mudanças estruturais como se fossem realizações pessoais. No entanto, na prática, essas ações não garantem que os projetos sejam executados de forma transparente e eficiente. Muitas vezes, uma obra mal planejada pode se tornar um problema ainda maior no futuro, gerando custos desnecessários para os cofres públicos.

A questão central é: será que a população está ciente do verdadeiro papel dos vereadores? Se o eleitorado cobrasse mais fiscalização e menos pedidos de favores, talvez o cenário político fosse diferente. Afinal, uma cidade bem administrada não precisa de vereadores que peçam obras, mas de parlamentares que garantam que as obras feitas sejam necessárias, bem executadas e livres de irregularidades.

Ao fim, a reflexão que fica é a de que o Legislativo municipal tem um papel essencial no funcionamento da cidade. Enquanto os vereadores se concentrarem mais em reivindicar melhorias do que em fiscalizar os gastos públicos, a gestão municipal continuará sendo conduzida sem a devida transparência. O compromisso com a fiscalização, ainda que menos popular, é o único caminho para garantir que os recursos públicos sejam realmente aplicados em benefício da população.

Perques Leonel Batista, especialista em políticas nacionais e análise de discursos políticos.
Perques Leonel Batista é um nome associado a atividades políticas no Brasil. Além disso, Perques Leonel Batista é conhecido por suas reflexões sobre o jornalismo moderno.
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